III CONPDL – Responsabilidade e Resposta

 

Aqui estão todas as informações e postagens referentes ao III Congresso Nacional de Psicanálise, Direito e Literatura. As notícias se encontram ordenadas da mais antiga para a mais recente.

 

————————————————————————–

19 de abril de 2011

 

O que diferencia a responsabilidade da resposta?

 

O aborto. Do ponto de vista religioso, há uma só resposta, uma só forma de se responsabilizar pelo aborto: não fazê-lo. A religião, entendam, é o modelo de toda uma filosofia moral que sempre desejou encontrar uma só resposta universal para todo dilema moral humano. Ora, essa resposta é o que podemos chamar responsabilidade. Nesse sentido, responsabilidade seria a capacidade dessa minha “essência universal compartilhada com todos” de saber, a princípio, como resolver meus dilemas morais. Se eu agisse de acordo com essa essência e com esses preceitos morais universais, eu seria responsável. Se eu negasse de alguma forma esses princípio, tentasse impor alguma coisa de singular, eu estaria sendo irresponsável.

Pois bem, com o início das ciências humanas, no século XIX, em especial a antropologia e a psicanálise, começamos a perceber que o sonho de uma moral universalmente válida era apenas isso: um sonho. Na verdade, nossos parâmetros morais mudam com frequência – não apenas de cultura para cultura, mas na própria história individual. O que decido hoje – com relação ao aborto, à traição do cônjuge, à eutanasia, à guerra… etc – pode não valer amanhã.

O que a psicanálise propõe, então, é que nossa responsabilidade seja descrita de uma forma mais singular, mais historicamente determinada. É claro que devemos ser responsáveis por nossas ações. É claro que devemos prestar contas ao laço social pelas decisões que tomamos. Mas, a partir do quê? Dessa essência universal que a religião acredita que temos? Não! Devemos nos responsabilizar a partir das relações que nos constituiram e sempre levando em consideração o inconsciente.

Ainda para ficar no exemplo do aborto. Suponham um caso fictício. O sujeito engravida diversas moças. Ele sugere a todas que abortem seus bebês. Ele pode simplesmente dizer: “bem, eu assumo a responsabilidade aqui: eu pago pelos abortos”. Um psicanalista não aceitaria bem essa resposta, questionaria se não há nessa repetição macabra alguma coisa da ordem do inconsciente. Algo do tipo: “você precisa provar para si mesmo que consegue ser superior às mulheres e por sua inveja delas – do poder de gerar um bebê – as obriga a abortar sempre”. Imaginem agora outro exemplo: a mulher engravidou aos 16. Bem, ela decidiu, com muita dor moral, pelo aborto. Ela leva para análise, durante anos, sua culpa por ter “matado” o seu bebê. Um psicanalista também questionaria a resposta pela via do inconsciente dizendo algo do tipo: “vc se sente culpada não apenas pelo aborto, mas por não ter assumido o lugar da mãe que você sempre quis”.

Observem: os dois casos fictícios mostram sujeitos que elaboram respostas singulares para dilemas morais semelhantes. Cada um articula sua posição frente ao laço social de uma forma específica. Nenhum dos dois – e quantos mais aparecessem na história – poderia convocar uma lei moral neutra frente à qual poderiam dizer: bem, era isso aqui que eu deveria fazer, era a única coisa a fazer para me responsabilizar pelo meu desejo. Nada disso! Os dois, na verdade, respondem aos seus desejos inconscientes de uma forma singular. Negando a culpa, aumentando a culpa, levando a responsabilidade pro outro… não importa…

Então, em resumo, a psicanálise não nega a responsabilidade. Ela a acentua na medida em que mostra que há mais razões para nossas decisões que supomos. Ela nos obriga a questionar nossas ações morais de tal forma a sempre levar em consideração o inconsciente. “Por que faço isso para além do que penso conscientemente?” ou ainda: “Penso saber exatamente como me comportar frente a esse dilema, mas será que tomando essa decisão não decido, em outro lugar, no inconsciente, por coisas que me escapam e que no entanto me determinam?”

Pra terminar, acabei de ver uma imagem no facebook que achei bem engraçada e é a resposta típica da histeria:

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1504983439646&set=a.1477827200757.56323.1686075100&type=1&theater

Ela diz: “I didn’t say it was your fault. I said I was going to blame you.” É apenas uma resposta possível: culpar o outro mesmo sabendo que o erro não era dele. Outras ainda possíveis: “Bem sei que não errei, mas mesmo assim me sinto responsável por isso”; “Sei que errei, por isso mesmo gosto de dar um jeitinho e fingir que nada aconteceu”…

Esses e outros temas no III CONPDL.

Participe!

 

————————————————————————–

17 de abril de 2011

 

Divulgue!

 


 

————————————————————————– 28 de março de 2011

 

Da reação à resposta fraterna: Derrida e a resposta

 

Jacques Derrida, em Politiques de l’amitié, lembra que responder a alguém é a mais originária, mais fundamental, modalidade de resposta. De fato, o dicionário traz responder como retrucar, reagir, revidar, retribuir. Todavia, diz Derrida, respondemos primeiro ao outro, à questão, à demanda, ao apelo, ao sinal, ao adeus. Aqui não se responde por si e em nome próprio, somos responsáveis apenas diante da questão, da demanda, da interpelação, da “instância” ou da “insistência” do outro. O autor continua:

Por outro lado, o nome próprio que estrutura o “responder-por-si” (répondre-de-soi) é ela mesma para o outro, seja aquele que o outro escolheu (por exemplo o nome que me foi dado ao nascimento, que eu nunca escolhi e me introduz no espaço da lei), seja o que, de qualquer forma, implica o outro no ato mesmo da apelação, na sua origem, sua finalidade, seu uso. Oresponder supõe sempre o outro na relação consigo, ele guarda o sentido desta “anterioridade” dissimétrica até na autonomia aparentemente mais interior e mais solitária do “quanto a si mesmo”, do foro interior e da consciência moral zelosa de sua independência – outra palavra para a liberdade. Essa anterioridade dissimétrica marca também a temporalização como estrutura da responsabilidade. (Derrida, 1994: 282).

A passagem de Derrida me parece importante para mostrar esses dois elementos que Jean Laplanche também irá fazer trabalhar quando propõe o deslocamento da responsabilidade para a resposta. Deslocamento duplo: do tempo e da dissimetria. Primeiro, a dissimetria para lembrar que a resposta é sempre originariamente diante do outro. Depois, do tempo, pois é só-depois, a posteriori, que o eu (o nome próprio, como diz Derrida) se apropria dessa resposta como se ela fosse formulada de forma independente e desligada do outro.

Laplanche, no seu texto “Responsabilité et réponse”, que norteia o III CONPDL, também lembra dos muitos sentidos da resposta. Deslocamentos, descolamentos entre o eu e o outro. A criança respondona: pensemos nela, talvez, como um primeiro descolamento/deslocamento dessa dissimetria originária. Ainda falta, claro, um longo caminho para um deslocamento talvez mais suave, o deslocamento para a amizade, para a palavra que pode circular mais fraterna e não apenas como reação ao outro.

Esse é mais um tema possível para o III CONPDL. Participe! Mande sua contribuição!

Fábio Belo

Referência

Derrida, J. Politiques de l’amitié. Paris: Galilée, 1994.

 

————————————————————————–

5 de março de 2011

 

A promessa e a responsabilidade

 

Nos primeiros parágrafos da Segunda Dissertação, de Genealogia da Moral, Nietzsche faz uma interessante correlação entre a promessa e a responsabilidade:

Para poder dispor de tal modo do futuro, o quanto não precisou o homem aprender a distinguir o acontecimento casual do necessário, a pensar de maneira causal, a ver e antecipar a coisa distante como sendo presente, a estabelecer com segurança o fim e os meios para o fim, a calcular contar, confiar – para isso, quanto não precisou antes tornar-se ele próprioconfiável, constante, necessário, também para si, na sua própria representação, para poder enfim, como faz quem promete, responder por si como porvir! (Nietzsche, 2001 [1887]: 48)

Para Nietzsche, essa é “longa história da origem da responsabilidade”. Ser responsável implica transformar o sujeito “necessário, uniforme, igual entre iguais, constante e, portanto confiável”. O filósofo mostra como “ser responsável” tem várias raízes. Certamente, podemos ver nesse sujeito que se mantém o mesmo alguém interessante, alguém que pode se contrapor à moral dos costumes. Mas, o sujeito incapaz de esquecer uma dívida, em muitos sentidos, é também um sujeito incapaz de mudar. O sujeito responsável está muito próximo do devedor que pode sofrer na mão do credor.

A discussão, claro, é bastante complexa e se relaciona com outros aspectos da filosofia de Nietzsche. O que me interessa aqui é destacar, mais uma vez, que a noção de responsabilidade, na filosofia moral clássica, não leva em conta essa genealogia que Nietzsche, a seu modo, e a psicanálise, de outras formas, tentam fazer aparecer. Voltemos à Primeira Dissertação, numa famosa passagem:

(…) A fraqueza é mentirosamente mudada em mérito, não há dúvida (…)  e a impotência que não acerta contas é mudada em ‘bondade’; a baixeza medrosa, em ‘humildade’; a submissão àqueles que se odeia em ‘obediência’ (há alguém que dizem impor essa submissão – chamam-no Deus). O que há de inofensivo no fraco, a própria covardia na qual é pródigo, seu aguardar-na-porta, seu inevitável ter-de-esperar, recebe aqui o bom nome de ‘paciência’, chama-se também a virtude; o não-poder-vingar-se chama-se não-querer-vingar-se, talvez mesmo perdão (…). (Nietzsche, 2001 [1887]: 38)

Um pouco mais adiante, Nietzsche cita Tomás de Aquino, “suave como um cordeiro”: “os abençoados no reino dos céus verão as penas dos danados, para que sua beatitude lhes dê maior satisfação” (apud. Nietzsche, 2001 [1887]: 40). Essa frase deixa bem claro uma ideia que me parece muito próxima da psicanálise: o que parece apenas virtude é também, no inconsciente, desejo comprometido com uma satisfação sexual inaudita, infantil e perversa. Ser responsável muitas vezes é garantido pelo desejo inconsciente de ver os irresponsáveis “penando”.

O ponto é: aquele sujeito responsável – o plenamente capaz de fazer promessas – no auge de sua suposta autonomia, de sua “constância”, de sua “confiabilidade”… deve admitir que não é tão inteiro assim. Talvez, o sujeito da psicanálise não seja tanto o sujeito da promessa – tão requisitado pela religião, como sabemos (quem não se lembra de Dias Gomes e seu pagador de promessa?) – mas o sujeito de uma resposta ao outro que pode mudar pela via da elaboração. Nem tanto a ausência de um com-prometimento, mas o reconhecimento de que exigir garantias eternas do que se diz ou do que se deseja é perder, de forma radical, a possibilidade de novos arranjos junto ao outro.

Esse é mais um dos temas que pode ser explorado no III Congresso Nacional de Psicanálise, Direito e Literatura. Participe!

Fábio Belo, 05/03/11

 

————————————————————————–

2 de março de 2011

 

O biológico e a responsabilidade

 

O romance Uma questão pessoal, de Kenzaburo Oe, narra o terrível dilema de um pai que se depara com um filho com uma anomalia cerebral. Sem entrar em detalhes, podemos pensar que essa situação e muitas outras faz aparecer uma relação entre a biologia e a responsabilidade. Obviamente, a paternidade e a maternidade já faziam aparecer essa relação: devo ou não cuidar (me responsabilizar) por esse ser que “criei”? Essa questão, sabemos, não é naturalmente respondida. Não há instinto que dê conta dela. É preciso uma escolha sempre aqui. As coisas tomam talvez uma outra dimensão quando esse biológico exige ainda mais dos pais. Suponhamos o caso limite de uma criança que não “responderá” jamais aos apelos do outro. Vegeta apenas reduzido ao ponto mínimo de um olhar ou um meio-sorriso. Qual o peso da responsabilidade aqui? É maior? Menor? O que o Direito tem a nos dizer sobre isso? Existe a possibilidade jurídica de abandonarmos um bebê? Em quais condições? E o contrário: adotá-los, tomar o corpo biológico sobre o qual não temos responsabilidade, mas respondermos, no lugar do amor, pelo acolhimento? E a psicanálise: como pensar na dinâmica inconsciente dessas fantasias nos casos de filiação nos quais a biologia fala tão alto?

É sobre esse e outros temas que o III CONPDL tratará! Mande seu texto. Faça sua inscrição! Participe!

 

————————————————————————–

27 de fevereiro de 2011

 

Se meu objeto de amor morresse…

 

Muitas vezes, quando algumas pessoas querem terminar uma relação amorosa, mas não querem assumir a responsabilidade dessa experiência, devaneiam que seu objeto de amor poderia morrer, dessa forma, a livrariam do fardo e do mal-estar de dirigir a ele o fim do seu desejo.

Obviamente, uma fantasia desse tipo – a morte de nosso objeto de amor – possui infinitas interpretações. Quero pensar aqui apenas nesse contexto: desejo o fim da relação amorosa e não tenho coragem de endereçar ao outro isso que penso.

Para pensar no tema desse III CONPDL – responsabilidade e resposta – imagino as possíveis relações entre a morte, a reposta e o amor.

Desejar a morte do outro, mesmo estando bastante longe de qualquer tentativa de realizar essa fantasia na realidade, é uma resposta que parece tomar a via do infantil. Fazer desaparecer o outro é uma resposta sem restos. O ódio, no limite, é uma resposta que se quer pelo avesso: reposta para não responder.

A difícil tarefa de endereçar ao outro o mal-estar que ele nos produz sempre deixa restos. O outro interno – nossos desejos inconscientes – já é demasiadamente exigente.

Pensem também quando esse devaneio atormenta os enamorados: imaginamos a morte da pessoa amada e isso produz uma intensa angústia. Nesse caso, talvez o devaneio indica a impossibilidade de tomarmos a completa responsabilidade pelo outro. A todo momento ele nos escapa.

É bastante impressionante como usamos a morte do outro como um marcador moral. “Se ele morrer, nada sou”; “se ela morrer, poderei viver uma outra vida”; “o que seria de mim, sem ele(a)?”; “deverei continuar a amá-lo(a) depois de sua morte?”. O que me parece importante é lembrar, a partir da psicanálise, que a morte… nem sempre é o que parece.

Envie seu texto! Participe do III CONPDL!

Fábio Belo, 27/02/11

 

—————————————————————————

18 de janeiro de 2011

 

Medicalizar a moral

 

Medicalizar a moral – Michel Foucault explicou isso muito bem – é recusar que o mal é humano. Consequencia, do ponto de vista psicanalítico: a resposta ao pulsional deixa de ser pensada a partir de uma posição subjetiva e passa a ser desejado um tratamento medicamentoso ao “monstro”. Na coluna abaixo, João Coutinho nos dá um exemplo de um tema que será tratado no III Congresso Nacional de Psicanálise, Direito e Literatura: Responsabilidade e Resposta.

 

São Paulo, terça-feira, 18 de janeiro de 2011 
Texto AnteriorPróximo TextoÍndiceComunicar Erros 

JOÃO PEREIRA COUTINHO

A doença do crime


De que forma conciliar a existência de um Deus onipotente com a presença do mal no mundo?


PORTUGAL PASSOU a semana em estado de choque. Não necessariamente por estar no limiar da bancarrota, preparando-se para receber o Fundo Monetário Internacional pela terceira vez em 37 anos de democracia. Mas pela morte de um conhecido jornalista luso barbaramente assassinado em Nova York. Eis os fatos: o jornalista, Carlos Castro, 65, era um “gadfly” social, que relatava nas páginas do diário “Correio da Manhã” (em que escrevo uma coluna política três vezes por semana) a vida dos famosos. Era também homossexual assumidíssimo e militantíssimo. E presença assídua na televisão portuguesa.
Depois do Natal, partiu para Nova York na companhia de um modelo, ou aspirante a modelo, de 21 anos. Paixão? Relação “profissional”?
A doutrina divide-se. Os familiares do rapaz juram publicamente a heterossexualidade dele.
Amigos do jornalista, pelo contrário, falam em paixão, namoro, quando muito relação “platônica”.
Os mais céticos dizem simplesmente que o rapaz pretendia aproveitar-se do jornalista para subir na carreira. Não saberemos a verdade.
Porque a única verdade que interessa é a morte. No passado dia 7 de janeiro, em hotel de luxo da Broadway, Carlos Castro foi assassinado no quarto do hotel.
“Assassinado” é termo demasiado brando: foi espancado, estrangulado, desfigurado e, finalmente, castrado. Com um vulgar saca-rolhas.
O principal suspeito acabaria preso e está hoje internado no hospital psiquiátrico de Bellevue, após confissão dos atos.
Aguarda julgamento. Prisão perpétua é uma hipótese.
O caso horrorizou os portugueses pelos contornos lúgubres do homicídio e, claro, pela fama do jornalista.
Mas aquilo que me horrorizou a mim não foi propriamente o homicídio. Nem sequer as reações ao homicídio na internet, onde a boçalidade anônima só comprovou a quantidade de homossexuais reprimidos que existem em Portugal.
O que me horrorizou foram os médicos que assaltaram as televisões e os jornais para “explicar” o sucedido.
“Explicar”, aqui, no sentido patológico do verbo: para todos eles, matar um ser humano com tal nível de brutalidade não é “normal”. É a manifestação de uma doença, ou de várias, que privaram o jovem da sua racionalidade.
Ponto de ordem: não excluo tal hipótese. E admito que a defesa legal do rapaz acabe por alegar insanidade momentânea, embora a estratégia nem sempre seja a mais aconselhada: li algures que, nos Estados Unidos, é residual o número de casos onde é alegada a insanidade; e é ainda mais reduzido o número de sentenças baseadas na insanidade do réu, que normalmente passa mais tempo nos calabouços de um manicômio do que na prisão propriamente dita.
Mas o meu problema não é legal; é moral. É, no fundo, observar a forma como as nossas sociedades foram “medicalizando” o mal, negando-lhe a sua dimensão humana, demasiado humana.
Sempre foi assim, eu sei. A existência do mal é o problema teológico “par excellence”: como conciliar a existência de um Deus onipotente e onisciente com a presença do mal no mundo?
Alguns brasileiros, confrontados com a inominável tragédia que se abateu sobre o país nestes dias, poderão mesmo repetir a frase de Voltaire da época do terremoto que dizimou Lisboa em 1755: “Como pode Deus permitir a morte de centenas, milhares de inocentes?”
Não tenho a pretensão de responder a tal questão. Duvido, aliás, que uma tal questão tenha resposta.
Prefiro lidar com tragédias menores, terrenas, domésticas. E perguntar, mais modestamente, por que motivo “medicalizamos” aquilo que nos é racionalmente aberrante?
Ou, dito de outra forma, por que razão nos recusamos a aceitar que o mal faz parte da nossa condição humana?
A resposta óbvia seria afirmar que a medicina, e em especial a neurologia e a psiquiatria, conquistaram novos e desconhecidos territórios: o assassino de ontem é o doente de hoje. E, quem sabe, será curado amanhã.
Talvez seja. Ou talvez não seja.
Mas no dia em que aceitarmos todos os crimes como meras manifestações de doença estaremos também a desculpar o criminoso e a subverter as categorias básicas da nossa vida comum.
Estaremos a apagar para sempre palavras como “liberdade”, “responsabilidade”, “culpa”, “certo” e “errado”.
Quem deseja mesmo viver num mundo assim?

 

Programação do Evento

 

Se preferir, faça o download em pdf aqui.

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>