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		<title>Anais do II CONPDL</title>
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		<category><![CDATA[Estética da Existência]]></category>

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		<description><![CDATA[É com satisfação que anunciamos: os anais do II CONPDL encontram-se disponíveis!
Boa leitura!
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			<content:encoded><![CDATA[<p>É com satisfação que anunciamos: os anais do II CONPDL encontram-se disponíveis!</p>
<p>Boa leitura!</p>
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		<title>Sobre as duas pernas do Senhor Cogito</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Apr 2010 17:20:47 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Sobre as duas pernas do Senhor Cogito
A perna esquerda é normal
dir-se-ia otimista
um pouco curta demais
perna de menino
na graça de seus músculos
e panturrilha bem torneada
a direita
– Senhor tende piedade –
é magra
com duas cicatrizes
uma ao longo do tendão de Aquiles
a outra oval
rosa- chá
lembrança vergonhosa de uma fuga
a esquerda está
prestes a saltar
perna de dança
que ama demais a vida
para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Sobre as duas pernas do Senhor Cogito<br />
A perna esquerda é normal<br />
dir-se-ia otimista<br />
um pouco curta demais<br />
perna de menino<br />
na graça de seus músculos<br />
e panturrilha bem torneada<br />
a direita<br />
– Senhor tende piedade –<br />
é magra<br />
com duas cicatrizes<br />
uma ao longo do tendão de Aquiles<br />
a outra oval<br />
rosa- chá<br />
lembrança vergonhosa de uma fuga<br />
a esquerda está<br />
prestes a saltar<br />
perna de dança<br />
que ama demais a vida<br />
para se expor<br />
a direita é<br />
rígida de nobreza<br />
e desafia o perigo<br />
desse modo<br />
sobre suas duas pernas<br />
a esquerda que se pode comparar a Sancho Pança<br />
e a direita<br />
lembrando antes o cavaleiro errante<br />
o senhor Cogito<br />
avança<br />
pelo mundo<br />
mancando levemente</p>
<p style="text-align: right;">Zbigniew Herbert</p>
<p style="text-align: right;">[Leia formatado aqui: http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2010/04/110_935-risco.PDF]</p>
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		<title>Por que Foucault? Uma reflexão sobre Foucault, a loucura e a psicanálise</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Apr 2010 15:07:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[II CONPDL]]></category>

		<category><![CDATA[Temas possíveis]]></category>

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		<description><![CDATA[             Será que teriam sido suficientes cem anos de psicanálise para que se possa deixar de intimidar-se em considerar a loucura apenas como um signo? 
            O signo, sendo o que representa alguma coisa para alguém, implica a articulação em que um termo da relação define-se a partir do outro. Por isso os signos e, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;">             Será que teriam sido suficientes cem anos de psicanálise para que se possa deixar de intimidar-se em considerar a loucura apenas como um signo? </span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>O signo, sendo o que representa alguma coisa para alguém, implica a articulação em que um termo da relação define-se a partir do outro. Por isso os signos e, entre eles o da loucura, sofreram os destinos a que as diversas posturas subjetivas o condenaram, na medida em que elas determinam o “alguém” para o qual se representou “alguma coisa”. </span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>Por exemplo, os gregos antigos foram o “alguém” que denominou esta alguma coisa, que hoje alguns chamam de loucura, de “manias”. Assim, na visão de Homero, os homens não passariam de bonecos à mercê dos deuses. Esta situação, em que eles não teriam o domínio de si mesmos e por isto teriam seu destino conduzido pelas “moiras”, criava uma aparência de estarem fora de si, de estarem tomados, possuídos por uma força maior e exterior. A isso chamaram “mania”. </span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>Segundo Sócrates, este fato produziria quatro tipos de manifestações: um primeiro tipo de “mania”, a “mania profética”, que seria proveniente do deus Apolo e seria um tipo de loucura em que os deuses se comunicariam com os homens possuindo o corpo de um deles, para utilizá-lo como veículo da mensagem que queriam enviar. E como os deuses falam sempre a verdade, com este tipo de “mania”, que seria a do discurso oracular, produziu-se para este signo da loucura sua face de sabedoria, mística, que até hoje permanece vigente. </span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>Outra manifestação deste signo existente também entre os gregos, foi a da loucura chamada de “ritual ou dionisíaca”. Nela o louco se via conduzido ao êxtase através de danças e rituais orgiásticos, ao fim dos quais seria possuído por um daímon. Este tipo de mania, pelos efeitos catárticos que sua forma de expressão produzia, continha em si sua própria cura e provavelmente tenha sido a origem dos “carnavais” e de outras festas populares existentes até hoje. Não seria este signo da loucura também o responsável pela idéia de que seria necessário se liberar das forças “subterrâneas” existentes na natureza para não enlouquecer? </span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>Haveria ainda, no entender de Sócrates, a loucura amorosa produzida por Afrodite e também a loucura produzida pelas musas, a poética. Mas em qualquer uma destas manias, sempre o signo loucura denotava o caráter exterior deste saber que se expressava através do sujeito maníaco ora por oráculos, ora pelas manifestações do daímon, ora pela inspiração das musas. E esta manifestação do “outro”, que constituiria a fonte da mania, por ser detentora de uma “verdade” que se revelaria desta maneira, seria por isso considerada sagrada. </span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>Uma outra postura subjetiva, determinante do que poderia denotar uma nova significação da loucura, foi produzida pelo cristianismo. Esta outra posição subjetiva também radicalizou o caráter da exterioridade da loucura, atribuindo sua causa ao daimon cristianizado que é o demônio e que, além disso, a valorizou negativamente, significando-a como produto do pecado, responsabilizando moralmente o sujeito acometido por ela. Foi assim que fenômenos como os das epidemias de feitiçaria, ocorridos principalmente na Idade Média, transformaram-se na origem da Santa Inquisição, que foi o “tratamento” indicado pela Igreja para curar esta “doença” espiritual. </span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>O demônio, signo do mal, passou a ser sinônimo e justificativa dessa loucura que, através da possessão das feiticeiras, produziu um signo da loucura ampliado, ao qual, a partir daí, juntaram-se o caráter de “ruim e de mal”, embora ainda mantendo as características de “exterior” e “sagrado” que este signo já possuía anteriormente. Para mudar esta concepção não foi suficiente nem mesmo um Erasmo de Rotterdam, que tentou restituir a este signo, através do seu Elogio da loucura, seu aspecto de sabedoria. </span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>Mas foi somente ao ser anexado à razão que o signo da loucura sofreu sua mais radical modificação. Isto teria ocorrido, pelo menos miticamente, pouco antes da Revolução Francesa, por obra de Pinel que, ao separar o louco do criminoso, afastou deste signo seu aspecto de julgamento moral que constituía até então seu principal parâmetro. </span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>Apesar da importância deste fato em si mesmo, a principal conseqüência do ato de Pinel refletiu-se no resultado da leitura que o filósofo Hegel fez deste eminente psiquiatra. Em 1817, Hegel afirmaria, num artigo escrito para a Enciclopédia de Filosofia, que a alienação mental não seria a perda abstrata da razão, como até então se acreditava, mas segundo ele a loucura seria decorrente de uma contradição interior à própria razão. </span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>Ainda que usando o termo “alienado”, Hegel afirmou que não haveria uma “outra” razão ou mesmo uma desrazão que motivasse a loucura, como se acreditava antes e pretendeu demonstrar que esta provém unicamente de algo interno a ela própria. Com isto a loucura deixaria de ser necessariamente o oposto à razão ou sua ausência e a partir daí ela pôde ser pensada inerentemente à razão. Foi o que tornou possível a operação de pensá-la como dentro do sujeito e, portanto, possuidora de uma lógica própria.</span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>Hegel, com esta sua intervenção, tornou possível pensar um signo da loucura pertinente e necessário à dimensão humana, chegando ao ponto de afirmar que só seria humano quem tivesse a virtualidade da loucura, pois a razão humana só se realizaria através dela. O signo loucura, com isso, passou então de uma posição onde alguém (Sócrates, por exemplo) significava esta “alguma coisa” (mania) como caracterizado por ser além-da-razão, para uma outra posição onde “alguém” (Hegel, no caso) significava esta “alguma coisa” (loucura) como interior e necessária à razão. </span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>Passou-se desta maneira da desrazão para a doença mental e, decorrente desta nova postura subjetiva em relação à loucura, ela pôde ser capturada e pensada como pertinente a uma subjetividade particular. Com isso, ela deixou de ser uma loucura, universal, uma loucura de tudo e de todos, uma loucura dos deuses que criariam uma loucura do mundo, e passou a ser uma loucura de cada um que, levando em conta o particular deste sujeito, passou a ser apenas loucura dos homens. </span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>Modernamente, através da obra de Foucault, houve ainda uma outra tentativa de se estabelecer uma lógica própria da loucura, porém, retirando-a radicalmente do monólogo que, segundo este autor, a razão realizaria sobre ela. </span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;">Foucault, ao situar a loucura como não sendo natural ao homem e ao negar sua origem no uso da razão, propôs de maneira radical sua causa como cultural. Nesta outra tentativa de conotar o signo loucura, este não seria o relato de um fato da natureza, mas seria a constatação de um fato próprio às culturas que a definiram. Com isto, Foucault relativizou ainda mais a significação deste sigilo que, com esta modificação, só seria possível de ser definido.</span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"><span style="font-size: small;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>Deste modo, o mérito de Foucault vem da sua história da loucura que traça muito bem a questão da daemonia praticada na idade média/clássica onde vemos pessoas sendo excomungadas pela Igreja Católica por traz de interesses econômicos, principalmente pelos doentes acometidos da peste que assolava os países europeus à época. Temos celebridades como Blaise Pascal, Descartes, dentre outros nomes renomados, que para fugir da santa inquisição tiveram que mudar seus discursos ontológicos para não serem inquiridos na Bula Papal.</span></span></p>
<p class="Default" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; mso-ansi-language: PT-BR;"></span><span style="font-family: Arial; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SA;"><span style="mso-tab-count: 1;">            </span>Os doentes, sofriam perseguições pela Igreja Católica fantasiando (mascarando) as justificativas do demônio como forma de manifestação maligna tendo como solução injustificável a queima do corpo em praça pública para mostrar a população que o demônio havia sido expurgado do corpo daquela alma sofrida. Tais argumentos serviam de justificativa para que a Igreja se apossasse dos bens patrimoniais daquela alma penada como forma de fortalecer seu patrimônio em nome da fé. A Reforma Protestante aludiu muito bem a questão do interesse papal quando rompeu com a Igreja Católica mostrando que as Indulgências eram papeis que hoje do ponto de vista econômicos chamamos de precatórios, servindo apenas de valor histórico, não transladando nada de positivo sob o ponto de vista metafísico. Mais uma vez é importante render honras a Michel Foucault por ter transformado a questão da loucura em um problema genealógico.</span></p>
<p class="Default" style="text-align: right; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Arial; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SA;">Pedro Castilho, 24/04/2010</span><!--[if gte mso 10]><br />
<mce:style><!   /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;}  ></p>
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<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;">Será que teriam sido suficientes cem anos de psicanálise para que se possa deixar de intimidar-se em considerar a loucura apenas como um signo? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>O signo, sendo o que representa alguma coisa para alguém, implica a articulação em que um termo da relação define-se a partir do outro. Por isso os signos e, entre eles o da loucura, sofreram os destinos a que as diversas posturas subjetivas o condenaram, na medida em que elas determinam o “alguém” para o qual se representou “alguma coisa”. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>Por exemplo, os gregos antigos foram o “alguém” que denominou esta alguma coisa, que hoje alguns chamam de loucura, de “manias”. Assim, na visão de Homero, os homens não passariam de bonecos à mercê dos deuses. Esta situação, em que eles não teriam o domínio de si mesmos e por isto teriam seu destino conduzido pelas “moiras”, criava uma aparência de estarem fora de si, de estarem tomados, possuídos por uma força maior e exterior. A isso chamaram “mania”. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>Segundo Sócrates, este fato produziria quatro tipos de manifestações: um primeiro tipo de “mania”, a “mania profética”, que seria proveniente do deus Apolo e seria um tipo de loucura em que os deuses se comunicariam com os homens possuindo o corpo de um deles, para utilizá-lo como veículo da mensagem que queriam enviar. E como os deuses falam sempre a verdade, com este tipo de “mania”, que seria a do discurso oracular, produziu-se para este signo da loucura sua face de sabedoria, mística, que até hoje permanece vigente. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>Outra manifestação deste signo existente também entre os gregos, foi a da loucura chamada de “ritual ou dionisíaca”. Nela o louco se via conduzido ao êxtase através de danças e rituais orgiásticos, ao fim dos quais seria possuído por um daímon. Este tipo de mania, pelos efeitos catárticos que sua forma de expressão produzia, continha em si sua própria cura e provavelmente tenha sido a origem dos “carnavais” e de outras festas populares existentes até hoje. Não seria este signo da loucura também o responsável pela idéia de que seria necessário se liberar das forças “subterrâneas” existentes na natureza para não enlouquecer? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>Haveria ainda, no entender de Sócrates, a loucura amorosa produzida por Afrodite e também a loucura produzida pelas musas, a poética. Mas em qualquer uma destas manias, sempre o signo loucura denotava o caráter exterior deste saber que se expressava através do sujeito maníaco ora por oráculos, ora pelas manifestações do daímon, ora pela inspiração das musas. E esta manifestação do “outro”, que constituiria a fonte da mania, por ser detentora de uma “verdade” que se revelaria desta maneira, seria por isso considerada sagrada. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>Uma outra postura subjetiva, determinante do que poderia denotar uma nova significação da loucura, foi produzida pelo cristianismo. Esta outra posição subjetiva também radicalizou o caráter da exterioridade da loucura, atribuindo sua causa ao daimon cristianizado que é o demônio e que, além disso, a valorizou negativamente, significando-a como produto do pecado, responsabilizando moralmente o sujeito acometido por ela. Foi assim que fenômenos como os das epidemias de feitiçaria, ocorridos principalmente na Idade Média, transformaram-se na origem da Santa Inquisição, que foi o “tratamento” indicado pela Igreja para curar esta “doença” espiritual. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>O demônio, signo do mal, passou a ser sinônimo e justificativa dessa loucura que, através da possessão das feiticeiras, produziu um signo da loucura ampliado, ao qual, a partir daí, juntaram-se o caráter de “ruim e de mal”, embora ainda mantendo as características de “exterior” e “sagrado” que este signo já possuía anteriormente. Para mudar esta concepção não foi suficiente nem mesmo um Erasmo de Rotterdam, que tentou restituir a este signo, através do seu Elogio da loucura, seu aspecto de sabedoria. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>Mas foi somente ao ser anexado à razão que o signo da loucura sofreu sua mais radical modificação. Isto teria ocorrido, pelo menos miticamente, pouco antes da Revolução Francesa, por obra de Pinel que, ao separar o louco do criminoso, afastou deste signo seu aspecto de julgamento moral que constituía até então seu principal parâmetro. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>Apesar da importância deste fato em si mesmo, a principal conseqüência do ato de Pinel refletiu-se no resultado da leitura que o filósofo Hegel fez deste eminente psiquiatra. Em 1817, Hegel afirmaria, num artigo escrito para a Enciclopédia de Filosofia, que a alienação mental não seria a perda abstrata da razão, como até então se acreditava, mas segundo ele a loucura seria decorrente de uma contradição interior à própria razão. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>Ainda que usando o termo “alienado”, Hegel afirmou que não haveria uma “outra” razão ou mesmo uma desrazão que motivasse a loucura, como se acreditava antes e pretendeu demonstrar que esta provém unicamente de algo interno a ela própria. Com isto a loucura deixaria de ser necessariamente o oposto à razão ou sua ausência e a partir daí ela pôde ser pensada inerentemente à razão. Foi o que tornou possível a operação de pensá-la como dentro do sujeito e, portanto, possuidora de uma lógica própria.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>Hegel, com esta sua intervenção, tornou possível pensar um signo da loucura pertinente e necessário à dimensão humana, chegando ao ponto de afirmar que só seria humano quem tivesse a virtualidade da loucura, pois a razão humana só se realizaria através dela. O signo loucura, com isso, passou então de uma posição onde alguém (Sócrates, por exemplo) significava esta “alguma coisa” (mania) como caracterizado por ser além-da-razão, para uma outra posição onde “alguém” (Hegel, no caso) significava esta “alguma coisa” (loucura) como interior e necessária à razão. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>Passou-se desta maneira da desrazão para a doença mental e, decorrente desta nova postura subjetiva em relação à loucura, ela pôde ser capturada e pensada como pertinente a uma subjetividade particular. Com isso, ela deixou de ser uma loucura, universal, uma loucura de tudo e de todos, uma loucura dos deuses que criariam uma loucura do mundo, e passou a ser uma loucura de cada um que, levando em conta o particular deste sujeito, passou a ser apenas loucura dos homens. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>Modernamente, através da obra de Foucault, houve ainda uma outra tentativa de se estabelecer uma lógica própria da loucura, porém, retirando-a radicalmente do monólogo que, segundo este autor, a razão realizaria sobre ela. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;">Foucault, ao situar a loucura como não sendo natural ao homem e ao negar sua origem no uso da razão, propôs de maneira radical sua causa como cultural. Nesta outra tentativa de conotar o signo loucura, este não seria o relato de um fato da natureza, mas seria a constatação de um fato próprio às culturas que a definiram. Com isto, Foucault relativizou ainda mais a significação deste sigilo que, com esta modificação, só seria possível de ser definido.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>Deste modo, o mérito de Foucault vem da sua história da loucura que traça muito bem a questão da <em>daemonia</em> praticada na idade média/clássica onde vemos pessoas sendo excomungadas pela Igreja Católica por traz de interesses econômicos, principalmente pelos doentes acometidos da peste que assolava os países europeus à época. Temos celebridades como Blaise Pascal, Descartes, dentre outros nomes renomados, que para fugir da santa inquisição tiveram que mudar seus discursos ontológicos para não serem inquiridos na Bula Papal.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" mce_style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-weight: normal;" mce_style="font-size: 14pt; font-weight: normal;"><span> </span>Os doentes sofriam perseguições pela Igreja Católica fantasiando (mascarando) as justificativas do demônio como forma de manifestação maligna tendo como solução injustificável a queima do corpo em praça pública para mostrar a população que o demônio havia sido expurgado do corpo daquela alma sofrida. Tais argumentos serviam de justificativa para que a Igreja se apossasse dos bens patrimoniais daquela alma penada como forma de fortalecer seu patrimônio em nome da fé. A Reforma Protestante aludiu muito bem a questão do interesse papal quando rompeu com a Igreja Católica mostrando que as Indulgências eram papeis que hoje do ponto de vista econômicos chamamos de precatórios, servindo apenas de valor histórico, não transladando nada de positivo sob o ponto de vista metafísico. Mais uma vez é importante render honras a Michel Foucault por ter transformado a questão da loucura em um problema genealógico. </span></p>
<p style="text-align: right;" mce_style="text-align: right;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial;" mce_style="font-size: 12pt; font-family: Arial;">Pedro Castilho, 24/04/2010<br />
</span>< ><--></p>
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		<title>Psicanálise e estética da existência</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2010 19:19:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
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1) A Psicanálise é fundamentalmente um  método terapêutico. Não há dúvida de que, ao transformar parte do que é  inconsciente em consciente, ela transforma as pessoas. Se considerarmos a  neurose como um estilo de vida, então é possível pensar no  desenvolvimento de outro estilo, outra forma de se relacionar consigo  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="entry-content">
<p style="text-align: justify;">1) A Psicanálise é fundamentalmente um  método terapêutico. Não há dúvida de que, ao transformar parte do que é  inconsciente em consciente, ela transforma as pessoas. Se considerarmos a  neurose como um <em>estilo</em> de vida, então é possível pensar no  desenvolvimento de outro estilo, outra forma de se relacionar consigo  mesmo e com os outros. Pensemos, a partir de Escher, nesse trabalho infinito do desenho de si mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img title="Mãos que se desenham" src="http://conpdl.com.br/wp-content/escherdrawinghands.jpg" alt="Mãos que se desenham, de Escher" width="400" height="346" /><p class="wp-caption-text">Mãos que se desenham, de Escher</p></div>
<p>1.1) Pode-se pensar, a partir da psicanálise, que esse desenho de si mesmo, nunca se faz sozinho, evidentemente, mas a metáfora de Escher me parece importante para mostrar que quando <em>nos inventamos</em> fazemos isso a partir de um <em>ethos</em>. Nunca é um processo, de fato, solitário. A estética da existência, pode-se dizer, é sempre <em>solidária</em> - tomando todos os cuidados com as muitas conotações desse termo, quero apenas apontar: é sempre algo que passa pelo outro.</p>
<p style="text-align: justify;">2) Mas, é preciso estar atento ao desejo  de “ser outro”, tão comum nas neuroses. Nossos romances familiares  estão repletos de narcisismo. Uma família melhor, um pai mais amigo, uma  mãe mais compreensiva: esses desejos implicam também no suposto ego que  daí adviria. Isso está geralmente implícito: “se eu tivesse tido um pai  mais compreensivo… hoje eu seria…”. Parte fundamental de uma análise é  exatamente esclarecer os limites dessa “mudança” desejada, desse ser  outro que aparece como ideal imaginário.</p>
<p style="text-align: justify;">3) Na Conferência XXVII, sobre a  transferência, Freud diz alguma coisa que merece muitíssima atenção:  “Der geheilte Nervöse ist wirklich ein anderer Mensch geworden, im  Grunde ist er aber natürlich derselbe geblieben, d. h. er ist so  geworden, wie er bestenfalls unter den günstigsten Bedingungen hätte  werden können.” (GW, XI, 452). Traduzindo: “o neurótico curado se  transformou realmente em um outro homem, mas, no fundo, naturalmente,  ele permaneceu ele mesmo, isto é, ele assim se tornou o que poderia ter  se tornado no melhor dos casos, sob as melhores condições.” Freud  conclui: “Aber das ist sehr viel.” Ou seja: “Mas, isso é muita coisa.” O  que, qualquer um que já se submeteu a uma análise, há de concordar…</p>
<p style="text-align: justify;">3.1) Mas, o que Freud quer dizer com  isso? Como assim, o sujeito curado é aquele que se transformou… naquilo  que ele seria “no melhor dos casos”… então, voltamos ao romance  familiar? Mas, então, a Psicanálise usaria o método <em>per via di  levare</em>, isto é, aquele método que vai “retirando” a pedra para que  se revele a escultura escondida atrás do bloco de mármore? Mas, não  seria melhor encará-la pelo método <em>per via de porre, </em>como na  pintura, onde colocamos os elementos onde desejamos? Será mesmo que o  sujeito “no seu melhor” está lá, guardado, sob os escombros de sua  neurose? Não seria melhor pensar a Psicanálise como também uma técnica  de subjetivação, de invenção de si mesmo, de uma prática  ético-estética-existencial?</p>
<p style="text-align: justify;">3.2) Mas, é preciso admitir que a frase  de Freud tem algo de revelador: ele permaneceu o mesmo… “im Grunde”, no  fundo… No fundamento, há algo, de fato, que não muda. Isso me parece…  fundamental: por mais consciente que tenha se tornado o sujeito, por  mais brilhantemente que saiba interpretar seus sonhos, por mais esperto  que fique diante de seus atos falhos… ali, onde ele resplandece, paira,  sempre, invisível, o que não cessa de se dar a ver, o inconsciente. Aí,  nesse lugar, o sujeito permanece o mesmo. No fundo sem beira do  inconsciente, no profundo do seu desejo, no indomável do pulsional, ele  não muda e não há nada que a Psicanálise possa fazer quanto a isso… a  não ser dotá-lo de um pouco mais de consciência – o sagaz contentamento,  a gaia ciência – diante d’isso.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 435px"><img title="Céu e Água" src="http://conpdl.com.br/wp-content/ceueaguai1938escher.jpg" alt="Céu e Água, Escher (1938)" width="425" height="425" /><p class="wp-caption-text">Céu e Água, Escher (1938)</p></div>
<p style="text-align: justify;">3.3) Mais uma vez, Escher. Pensemos nesse desenho <em>Gestalt</em>, &#8220;Céu e Água I&#8221;, de 1938. O sujeito se transformou, mas há algo que aparece, que o trabalho analítico - o trabalho sobre si mesmo - faz aparecer que <em>já estava lá</em>. Sabemos do risco que Freud corre aqui: um &#8220;naturalismo&#8221;, uma &#8220;natureza humana&#8221;&#8230; Mas, quero insistir no paradoxo: quando falamos da pulsão como esse fundo, estamos falando de algo puramente contingencial, que pode ter qualquer destino. É justamente isso que faz a exigência de trabalho analítico necessária.</p>
<p style="text-align: right;">Fábio Belo, 18/04/2010</p>
</div>
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		<title>Local e data</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 18:14:44 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Informações Relevantes]]></category>

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		<description><![CDATA[O II Congresso de Psicanálise, Direito e Literatura ocorrerá nos auditórios da Faculdade de Direito Milton Campos, em Nova Lima - MG, nos dias 28, 29 e 30 de abril.
Serão distribuídas 30 horas complementares - 10 horas por dia de evento - para alunos Milton Campos. Alunos de outras faculdades, devem levar o certificado do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">O II Congresso de Psicanálise, Direito e Literatura ocorrerá nos auditórios da Faculdade de Direito Milton Campos, em Nova Lima - MG, nos dias 28, 29 e 30 de abril.</p>
<p style="text-align: center;">Serão distribuídas 30 horas complementares - 10 horas por dia de evento - para alunos Milton Campos. Alunos de outras faculdades, devem levar o certificado do Congresso às respectivas Faculdades e solicitar as horas complementares.</p>
<p style="text-align: center;">Veja programação e como realizar sua inscrição nos links acima! Participe!</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #ff0000;">INSCRIÇÕES ABERTAS!</span></strong></p>
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		<title>Natureza humana? Isso existe?</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Apr 2010 22:46:05 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Temática]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando Foucault discute com Chomsky num famoso debate a possibidade de falarmos em &#8220;natureza humana&#8221;, ele salienta a impossibilidade de tal conceito ser forjado de forma neutra. Ele lembra que comunistas chineses, por exemplo, falavam de uma &#8220;natureza humana&#8221; diferente da burguesia. Nós bem sabemos onde isso leva&#8230; Quando Foucault propõe a noção de estética [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando Foucault discute com Chomsky num famoso debate a possibidade de falarmos em &#8220;natureza humana&#8221;, ele salienta a impossibilidade de tal conceito ser forjado de forma neutra. Ele lembra que comunistas chineses, por exemplo, falavam de uma &#8220;natureza humana&#8221; diferente da burguesia. Nós bem sabemos onde isso leva&#8230; Quando Foucault propõe a noção de estética da existência, acredito que ele se aproxima bastante do pragmatismo e da crítica que se faz à ideia de essência ou natureza humana. Dizer que nossa existência pode ser vista como uma obra de arte é dizer que ela não está pronta e não regras apriorísticas dadas nem pela natureza, nem pelos deuses. Vocês podem assistir a um trecho desse famoso debate aqui:</p>
<p style="text-align: justify;">
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/43Ai5WPHqWA&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/43Ai5WPHqWA&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p style="text-align: right;">Fábio Belo</p>
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		<title>Márcio Alves Fonseca abre o II CONPDL!</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Apr 2010 22:41:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Com uma sólida formação nacional e internacional, Márcio Alves da Fonseca dedicou toda a sua trajetória à interlocução entre o pensamento de Michel Foucault e as questões do âmbito do Direito, sendo atualmente o principal pesquisador brasileiro nesta importante senda  teórica. Tal percurso frutificou particularmente no livro Michel Foucault e o  Direito (Max [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Com uma sólida formação nacional e internacional, Márcio Alves da Fonseca dedicou toda a sua trajetória à interlocução entre o pensamento de Michel Foucault e as questões do âmbito do Direito, sendo atualmente o principal pesquisador brasileiro nesta importante senda  teórica. Tal percurso frutificou particularmente no livro <em>Michel Foucault e o  Direito</em> (Max Limonad, 2002), resultado de um Doutorado obtido na Universidade de Paris-XII sob a orientação de François Ewald (um dos principais  discípulos de Foucault e a maior autoridade mundial nas relações entre Foucault e o  Direito). Nesta obra, Fonseca dedica-se a mostrar a relevância das teses de  Foucault para o campo jurídico, destacando particularmente um efeito destas: a  possibilidade de pensar o direito “diferentemente”, o que resulta da extensa e  profícua crítica de Foucault aos pressupostos das tradições filosófica, social e política do Ocidente. Em parceria com a professora Salma Tannus, Márcio  Alves da Fonseca é atualmente tradutor dos últimos cursos ministrados por  Foucault no <em>Collège de France</em>, dos quais a “Hermenêutica do Sujeito” (publicado em 2006) é apenas o primeiro  volume.</p>
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		<title>Bioidentidades</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 13:21:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[O Prof. Benilton Bezerra vai encerrar o II CONPDL com um tema contemporâneo muito pertinente: a bioidentidade.
Como as novas tecnologias de manipulação corporal podem nos ajudar a construir uma nova estética da existência? Cirurgias plásticas, intervenções químicas de toda ordem (desde os remédios para dor até os controladores de humor) tudo isso entra em consideração [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O Prof. Benilton Bezerra vai encerrar o II CONPDL com um tema contemporâneo muito pertinente: a bioidentidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Como as novas tecnologias de manipulação corporal podem nos ajudar a construir uma nova estética da existência? Cirurgias plásticas, intervenções químicas de toda ordem (desde os remédios para dor até os controladores de humor) tudo isso entra em consideração nessa ética atravessada pela biologia.</p>
<p style="text-align: justify;">Saiba mais sobre o tema assistindo à palestra do Prof. Benilton aqui:</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="Aula do Prof. Benilton Bezerra" href="http://www.cpflcultura.com.br/video/integra-novas-fronteiras-da-subjetivacao-benilton-bezerra-jr-sao-paulo" target="_blank">http://www.cpflcultura.com.br/video/integra-novas-fronteiras-da-subjetivacao-benilton-bezerra-jr-sao-paulo</a></p>
<p>Não perca a oportunidade de vê-lo &#8220;ao vivo&#8221;&#8230; Faça a sua inscrição!</p>
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		<title>Pensando a imagem e a leitura: notas a partir de outro lugar</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 13:10:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Gustavo   Cerqueira Guimarães[1]
 
 
Casa   Nova, Vera. Escópicas: notas a partir de um lugar. Aletria   - revista de estudos de literatura. Belo Horizonte: Pós-Lit,   2003/2004, vol. 10/11, pp. 75-21. Disponível em:
http://www.letras.ufmg.br/poslit/08_publicacoes_pgs/Aletria%2010-11/Vera%20Casa%20Nova.pdf.   Acesso em 5 de abril de 2010.
O Texto   da Prof.ª de Semiótica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Gustavo   Cerqueira Guimarães<a name="_ftnref1" href="#_ftn1">[1]</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Casa   Nova<strong>, </strong>Vera.<strong> Escópicas: notas a partir de um lugar</strong>. <em>Aletria   - revista de estudos de literatura</em>. Belo Horizonte: Pós-Lit,   2003/2004, vol. 10/11, pp. 75-21. Disponível em:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.letras.ufmg.br/poslit/08_publicacoes_pgs/Aletria%2010-11/Vera%20Casa%20Nova.pdf">http://www.letras.ufmg.br/poslit/08_publicacoes_pgs/Aletria%2010-11/Vera%20Casa%20Nova.pdf</a>.   Acesso em 5 de abril de 2010.</p>
<p style="text-align: justify;">O Texto   da Prof.ª de Semiótica da Fale/Ufmg, Vera Casa Nova, &#8220;Escópicas: notas  a  partir de um lugar&#8221;, difere-se em geral dos textos e/ou artigos   acadêmicos, pois apresenta-se de uma forma fragmentária, aparentemente   sem um elo contínuo, através de uma racionalidade não tão costumeira   nessas estruturas, por vezes tão inteligíveis. O tempo para ler as seis   páginas escritas pela autora obedece a outra ordem, podendo chegar a   horas. Lendo-o como se lê Barthes, levantei a cabeça à procura de um   lugar para melhor apartar o desamparo causado pelas inúmeras imagens   evocadas. Haveria um lugar atrás do pensamento? Que tipo de leitor eu   sou? Haveria mesmo uma possível nosografia para este ato tão solitário e   silencioso? Para lembrar os leitores barthesianos: sou paranóico,   fetichista, histérico ou obsessivo?</p>
<p style="text-align: justify;">As   imagens são inúmeras: Édipo, espelho, cegueira; Diego Velásquez e as   dobras pós-Duchamp. Referências ao helenismo e aos <em>cut-ups</em> <em>beats</em>,   de William Burroughs. É preciso atentar para todas as entradas   possíveis indicadas pela tessitura. O resumo inicial indica a direção do   pensamento. Anuncia - e com destreza realiza o anunciado - que o Texto   se dará num movimento que vai da escopia ao háptico - ou do olhar ao   sentido tátil -:</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;">O texto apresenta   fragmentos de leitura a partir de filósofos que se dedicaram ao estudo   da imagem. Da figuração ou da representação no olhar da arte   contemporânea o que resta é a sensação, a percepção, no movimento do   olhar ou do tocar. A arte háptica nos convida a um outro pensar.</p>
<p style="text-align: justify;">O Texto   se inicia com a definição de escopia, que segundo a acepção significa   visão da imagem, isto é, percepção interior da própria imagem interior,  e  não da coisa ou do referente. Ao apreender essa definição logo de   início, eu a reli de diferentes formas por algumas vezes antes de   prosseguir. O que seria essa percepção interior da própria imagem   interior? O texto segue trazendo mais <em>imagens caleidoscópicas</em> ou   mais ritmos estrangeiros? Estamos na simultaneidade do espaço-tempo. E   toca em John Cage <em>in concert</em> e toca piano clássico através de   perturbações clássicas: &#8220;quantos enganos, quantos logros não haveria   aí?&#8221;, pergunta-se a respeito das teorias sobre a mimese, a cópia, a   imitação, a representação centradas no olhar, no ver o objeto.</p>
<p style="text-align: justify;">Toca,   tateia para tentar saber, &#8220;conhecer, o objeto. Fenomenologia de Eros   (Levinas). O contato com o objeto. Passar a mão na gravura, na foto, na   escultura, no quadro. Texturas. Contato que vai além do contato onde os   sentidos da arte se estendem&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Seguem-se   outras interrogativas: &#8220;Como um signo está ligado ao que significa?&#8221;   &#8220;Estaríamos hoje revivendo um outro Quixote&#8230;?&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Nesse   jogo de espelhos, quem quebrará o espelho?&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O que   passa através dos olhos?                              Signos&#8230;  ?&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Respeitar   implica em não tocar? Qual sagrado não pode ser tocado? As  instituições  de toda ordem continuam a nos imprimir a marca do  intocável?&#8221;  &#8220;Neutralizaremos o tato, o toque?&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Vários   outros rastros se dão a ver, são passos marcantes, difíceis, e ao mesmo   tempo se torna instigante segui-los:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Tangenciar   objetos e recortar escrituras&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Da   possibilidade ou da impossibilidade de o real poder ser dito ou   desenhado, ou fotografado ou pintado ou&#8230;&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Palavra   e imagem se exercitam em atravessamentos contínuos e descontínuos&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Uma   figura se assemelha a uma coisa e isso bastará para que se deslize no   jogo da imagem um enunciado evidente, repetido, óbvio&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;É o   corpo que grafa, escreve, desenha, esculpe,</p>
<p style="text-align: justify;">pinta,   grava, imprime, toca superfícies e anima-as&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Fechar   os olhos e tocar pode ser mesmo desorientar, inquietar, dilacerar&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;É   preciso sair dos fantasmas da língua e uivar no celeiro do mundo!&#8221;,   disse Vera em outros <em>Desertos</em>, pensando em Artaud. <em>Vous avez   besoin d&#8217;entendre une autre langue</em>. É preciso atentar para as várias   possibilidades de enfrentamento do Texto. É desejável atentar para à   epígrafe de Merleau-Ponty à fotografia final - um escólio -, divulgando <em>Os   discos</em>, escultura da artista plástica suíça Mira Schendel,   realizados em <em>letraset</em> entre placas de acrílico. Essa obra, de   fato, nos inquieta na medida em que não pode ser tocada, embora tenha   sido feito para ser tocada. &#8220;São objetos que nos olham e que nos tocam;   são objetos que nos tangem&#8221;; como por exemplo, a imagem fotográfica em <em>p/b</em> - uma cama vazia desfeita - &#8220;Sem título&#8221;, do cubano Felix   Gonzalez-Torres, exposta em outdoors em Nova York e em São Paulo:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-289  aligncenter" title="felix" src="http://www.conpdl.com.br/wp-content/uploads/2010/04/felix-300x210.gif" alt="felix" width="300" height="210" /></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Onde   estão essas obras? Estão aqui, agora, ou na memória?</p>
<p style="text-align: justify;">O Texto   de Vera termina e o que temos nas mãos é o livro-tela e a vontade de   experimentar outras sensações táteis, talvez um abraço - &#8220;O olhar toca.   As mãos tocam. O corpo toca&#8221;. Por fim, em outro lugar, uma indicação,   quase romântica, de como proceder diante das aporias:</p>
<p style="text-align: center;">Virar a   página e</p>
<p style="text-align: center;">Como num   salto</p>
<p style="text-align: center;">////////</p>
<p style="text-align: center;">////////</p>
<p style="text-align: center;">//////////</p>
<p style="text-align: center;">//////////</p>
<p style="text-align: center;">Transbordar   num imenso grito</p>
<p style="text-align: center;">E   respirar poesia</p>
<p style="text-align: center;">Essa   esquecida na estante da tua biblioteca. (Casa Nova, <em>Desertos</em>, p.   37)</p>
<hr style="text-align: justify;" size="1" />
<p style="text-align: justify;"><a name="_ftn1" href="#_ftnref1">[1]</a> Doutorando em Literatura Comparada, Fale/Ufmg.</p>
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		<title>Aos Domadores</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 13:08:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[II CONPDL]]></category>

		<category><![CDATA[Textos de conferencistas]]></category>

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		<description><![CDATA[A  Profa. Andrea Almeiada Campos, da PUC-PE e da DAMAS-PE, proferirá  palestra no II CONPDL sobre a &#8220;Análise do Discurso Jurídico acerca da  Infidelidade Conjugal Feminina em Interface com a Literatura&#8221;.  Professora de Direito Civil e doutoranda em psicologia, Andrea é ainda  poetisa e presenteia o nosso site com um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A  Profa. Andrea Almeiada Campos, da PUC-PE e da DAMAS-PE, proferirá  palestra no II CONPDL sobre a<em> &#8220;Análise do Discurso Jurídico acerca da  Infidelidade Conjugal Feminina em Interface com a Literatura&#8221;</em>.  Professora de Direito Civil e doutoranda em psicologia, Andrea é ainda  poetisa e presenteia o nosso <em>site</em> com um poema seu:</p>
<p align="center"><strong>Aos Domadores</strong></p>
<p align="right">Andrea Almeida Campos</p>
<p align="center">
<p align="center">Se queres domar a vida,</p>
<p align="center">aprende primeiro</p>
<p align="center">a domar esfinges.</p>
<p align="center">
<p align="center">Elas te rirão</p>
<p align="center">do alto</p>
<p align="center">do tempo</p>
<p align="center">e do mistério</p>
<p align="center">que serão</p>
<p align="center">para ti</p>
<p align="center">sempre</p>
<p align="center">imperscrutáveis.</p>
<p align="center">
<p align="center">E sentirão pena</p>
<p align="center">de toda</p>
<p align="center">a prepotência</p>
<p align="center">de que necessitas</p>
<p align="center">para sobreviver</p>
<p align="center">à brevidade</p>
<p align="center">de tua existência.</p>
<p align="center">
<p align="center">Mas se quiseres</p>
<p align="center">ser a vida</p>
<p align="center">em tudo que sê-la</p>
<p align="center">é belo e trágico,</p>
<p align="center">
<p align="center">lança abaixo</p>
<p align="center">os chicotes</p>
<p align="center">de todo o teu</p>
<p align="center">desespero,</p>
<p align="center">beija a fera</p>
<p align="center">que parece</p>
<p align="center">ser teu maior</p>
<p align="center">pesadelo.</p>
<p align="center">
<p align="center">E nas esfinges</p>
<p align="center">vão surgir,</p>
<p align="center">das asas do leão,</p>
<p align="center">mãos</p>
<p align="center">que te enlaçarão</p>
<p align="center">num abraço infinito.</p>
<p align="center">
<p align="center">
<p style="text-align: right;">In. <em>Olhos</em><em> sobre Tela</em>. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1999.</p>
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